Recebi de presente, este poema com o título do meu livro, que guardo com muito carinho, do meu amigo "Mário Celso Rodrigues".
Enquanto as hélices giravam...
No cockpit meus cismares vagueavam:
Manetes, manche... Torre... Tráfego...
No horizonte, vermelho, acordava o Sol dizendo estar no comando.
No gramado, ladeando a pista, um casal de quero-quero protestavam ou, tentavam se igualar ao gigante de alumínio...
Enquanto as hélices giravam...
Alguns centímetros atrás, poucas dezenas acomodados...
Sentimentos mesclados... Ansiedade, tristeza da despedida, euforia e a alegria do reencontro.
Enquanto as hélices giravam...
No início desafiador, depois manso e dócil segue o pássaro metálico, mãos dadas com o espaço, em harmonioso compasso, no braços, e ao sabor dos ventos.
Enquanto as hélices giravam...
Já em outra cadencia, aborrecido se mostrava o pássaro, não mais tão distante, teria que pousar.
Meus pensamentos no cockpit me acompanhavam:
Aviônicos, manetes, flaps... Pássaro nervoso...Voo interrompido.
Enquanto as hélices giravam...
Gigante de alumínio dominado, taxiando calmo;
Com penteados moicanos, como que solidários, casais de quero-quero acompanhavam o estranho pássaro metálico.
As hélices já não mais giravam...
Portas abertas... Sentimentos liberados, cada qual ao seu destino...
Alguns momentos de solidão, aguardando novos comandos...
Enquanto as hélices giravam... No peito o descompasso, de um coração saudoso e, voando com pressa, para além do horizonte ainda no arrebol o meu amor abraçar.
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